quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Moção de apoio à greve de Suape

Todo apoio a greve dos trabalhadores da obra de SUAPE!
Punição aos agressores e assassinos dos operários em luta!
O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza-CE, juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém-PA manifestam em primeiro lugar nossa mais profunda solidariedade e apoio aos familiares dos dois companheiros atingidos por tiros no dia de ontem. Lamentamos e torcemos pela mais rápida recuperação do companheiro ferido e sentimos muito, como irmãos de classe, pela perda de nosso outro camarada.
Nossas entidades, filiadas a CSP-Conlutas, trazem aos milhares de companheiros de Pernambuco em greve todo nosso apoio e solidariedade a essa luta. Sabemos que esse é uma batalha que precisa enfrentar os donos do consorcio, das empreiteiras, o Governo do Estado de Pernambuco, A Petrobrás e o governo Federal.
Sabemos ainda que, além de todos os adversários já citados, os trabalhadores da Construção Civil lotados na obra de SUAPE estão enfrentando também a direção de um sindicato completamente submisso aos patrões e que por isso se coloca não somente contrário a luta dos companheiros, mas tem tomado atitudes de enfretamento direto contra a nossa categoria, uma atitude deplorável e cabível de nosso repúdio.
Agora será necessária ainda mais força e mais unidade pra seguir essa luta. A luta de vocês em defesa de melhores salários e condições de trabalho agora será também a luta pela punição dos responsáveis pela morte e ferimento de nossos companheiros e para isso será preciso intensificar as exigências aos governantes e ao poder judiciário e por esses motivos nos colocamos inteiramente ao lado de vocês pra tudo que for necessário e possível contribuirmos.
Todo nosso apoio e solidariedade camaradas!

Um morto e um ferido em protesto em Suape

Durante protesto dos funcionários do Consórcio Conest, responsável pela construção da refinaria de Suape, que teve início às 8h desta quarta-feira (9), um trabalhador foi baleado e outro faleceu. Eles reinvindicam melhores condições de trabalho e reajuste em alguns benefícios, como aumento no vale-alimentação e fecharam a PE-60 em frente à portaria 2 da refinaria da Petrobrás, em Suape, Região Metropolitana do Recife.
Funcionários da Odebrecht provocam incêndio para protestar contra fim de greve
O ajudante de carpinteiro, Michael Alves Gouveia, de 28 anos, disse que apenas um dos três refeitórios das instalações está funcionando, o que faz com que os funcionários precisem almoçar de pé. Além disso, o ajudante de carpinteiro afirma que o valor do plano de saúde vem sendo descontado no contracheque dos trabalhadores, mas que ninguém recebeu o cartão que dá direito ao uso do benefício. Por isso, os funcionários do consórcio decidiram pela paralisação.
Na confusão, um trabalhador foi baleado. "Foi uma greve para a gente reinvidicar os nossos direitos, só que o sindicato estava apoiando a firma, e disse que ou a gente trabalhava, ou nossos dias seriam descontados", informou Michael. Teria sido um membro do Sindicato dos Trabalhadores de Suape o responsável pelo disparo. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Militar, a vítima foi levada ao Hospital de Ipojuca. Também segundo Michael, por conta do episódio, um outro trabalhador haveria sofrido um infarto e falecido.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Protestos reúnem mais de um milhão no Egito



O Egito assistiu ao maior e mais importante manifestação contra a ditadura de Mubarak, nesta terça-feira, dia 1°. A população do país respondeu a um chamado à greve geral e saiu às ruas em peso pedindo o fim da ditadura.

Segundo informações da grande imprensa, mais de um milhão de pessoas foram às ruas de todo o país. No Cairo, uma multidão tomou a Praça da Tahrir com faixas e cartazes que diziam "Fora Mubarak! e "Mubarak, seu governo acabou". Os slogans também aparecem grafitados em praticamente todos os tanques do exército, que se veem pelas ruas do Cairo. Os protestos já vêm ocorrendo há uma semana, e foram deflagrados depois que a “Revolução de Jasmim” derrubou o governo de Ben Ali, ditador da Tunísia.

Mesmo depois de anoitecer, a pressão dos manifestantes não foi diluída. A rede de televisão Al Jazeera exibiu imagens dos manifestantes montando barracas, distribuindo cobertores e comida para continuarem em vigília na praça.

O governo bem que tentou amortecer o impacto das manifestações. Decretou o encerramento de serviços de transporte ferroviário e colocou o exército para fechar muitas das estradas que dão acesso a capital. Por outro lado, cenas de confraternização entre manifestantes e soldados em tanques tornam-se cada vez mais comum. Foram exibidas cenas até de crianças sobre os veículos blindados, enquanto soldados atônitos olhavam a multidão.

Havia também um clima de tensão no início da concentração, pois boatos diziam que policiais e outros grupos fiéis a Mubarak tentariam entrar infiltrados na manifestação. No entanto, os próprios organizadores realizaram uma fiscalização que checavam os documentos e revistavam quem chegava à praça.

Protestos também ocorreram em Alexandria, que assistiu a uma marcha de milhares de pessoas. Em Suez também se mobilizaram em torno de 200 mil pessoas, segundo a imprensa. Elas gritavam slogans como "revolução em todos os lugares." Protestos também foram registrados nas cidades de Mansoura, Damnhour, Arish, Sinai, Tanta e El-Mahalla El-Kubra.

As manifestações foram realizadas no mesmo dia em que a ONU divulgou uma nota informando que 300 pessoas poderiam ter sido assassinadas pela ditadura desde o início das mobilizações. O Massacre é fruto da violenta repressão lançada contra os manifestantes pela polícia do governo. A informação provocou mais dor e revolta entre a população.

Na posse dos deputados, manifestantes protestam contra aumento abusivo dos salários


Protesto exigiu o mesmo aumento no valor do salário mínimo

Enquanto os deputados tomavam posse do novo mandato no Congresso Nacional, do lado de fora manifestantes protestavam contra o aumento abusivo dos salários dos parlamentares, aprovado no final da última legislatura.

Cerca de 200 manifestantes, entre ativistas da CSP-Conlutas, ANEL, PSTU, Rede Estudantil Classista, entre outros que compõem o “Comitê contra o aumento dos Parlamentares de Brasília”, expressaram indignação frente ao aumento de 62%, que elevará os salários para quase R$ 27 mil.

Os manifestantes saíram da rodoviária de Brasília e percorreram em passeata até o Congresso Nacional. Com faixas e cartazes, os manifestantes compararam o valor do salário dos deputados com o salário mínimo que o governo admite dar, de apenas R$ 545.

Um manifesto foi distribuído exigindo a imediata revogação do reajuste aos deputados, e um aumento de 62% no salário mínimo, rumo ao mínimo definido pelo Dieese. O texto denunciava ainda o corte no Orçamento anunciado pelo governo a fim de fazer superávit primário.

“Embora pequeno esse grupo aqui representa melhor o povo brasileiro do que quem está lá dentro. A maioria da população está muito irritada com isso”, disse Zé Maria, dirigente da CSP-Conlutas e do PSTU, à imprensa. Logo depois, o grupo foi até o Ministério do Trabalho, onde ocupou todo o saguão de entrada, exigindo reajuste digno ao salário mínimo.

Assim que terminou o ato, Zé Maria participou de uma reunião com a OAB a fim de definir novas ações na Justiça contra o aumento dos deputados.

Além do ato em Brasília, também ocorreram manifestações no Rio de Janeiro, Fortaleza e Curitiba, enquanto ocorria a posse dos deputados estaduais. No twitter, internautas digitaram a tag #contraoaumento como forma de protesto.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Egito: Greve geral é convocada para derrubar ditador

Uma greve geral por tempo indeterminado foi deflagrada no Egito nessa segunda-feira, dia 31. Bancos, portos, transportes públicos não estão funcionando no país. A paralisação foi convocada pelas centrais sindicais que ganhou poderosa adesão nas principais cidades egípcias - Cairo, Alexandria, Suez e Port Said. A greve é um profundo golpe nas pretensões de Mubarak de continuar no poder.

A greve já tinha sido convocada pelos trabalhadores da cidade de Suez, no domingo, mas seu chamado foi estendido para todo o país. "Estaremos nos unindo aos trabalhadores de Suez e começaremos uma greve geral até nossas exigências serem atendidas", afirmou Mohammed Waked, um dos organizador dos protestos.

Além da greve geral, os egípcios vão realizar m uma marcha de um milhão nesta terça-feira, dia 1°.

Governo por um fio

A população continua na rua, desafiando o toque de recolher imposto pelo governo. Manifestantes protestaram na Praça Tahrir, epicentro da revolta no Cairo, para manter o pulsar das manifestações e fortalecer um acampamento mantido na praça. Há relatos de que os ativistas estão dividindo sua comida com os soldados.

Por outro lado, o governo Mubarak já dá sinais de desespero. Nesta segunda-feira, helicópteros sobrevoavam o Cairo, um dia depois de caças voarem baixo pela Praça Tahrir. Durantes o final de semana, o governo e a polícia foram acusados de promoverem saques, atos de vandalismo e de terem libertado prisioneiros. Mubarak também recebeu o apoio de Israel, que teme um verdadeiro levante no mundo árabe contra as os governos ditatoriais que reconhecem o Estado sionista. Pela primeira vez desde os acordos de Camp David, há mais de 30 anos, Israel permitiu a entrada de tropas do Egito na Península do Sinai.

Mubarak tentou aplacar os protestos anunciando pequenas e ridículas mudanças no seu governo. No sábado, Mubarak apontou o primeiro vice-presidente em seus 30 anos no poder e um novo primeiro-ministro, em uma tentativa de se manter no comando. Também foi anunciada a formação de um novo gabinete ministerial. Foram substituídos os ministros das Finanças e do Interior. As medidas são, contudo, absolutamente inúteis. A população egípcia não aceitará nada menos do que o fim do governo Mubarak e seu regime.

Movimento operário poderá entrar em cena

A greve geral pode colocar em cena o poderoso e combativo movimento operário egípcio, o que representaria um salto de qualidade na revolução democrática. A classe trabalhadora do país vem lutando há muitos anos contra as miseráveis condições de vida imposta pela ditadura de Mubarak. Em abril de 2008, operários das fábricas têxteis da cidade de Al Mahalla realizaram uma paralisação e uma manifestação reivindicando aumento de salários. Na ocasião, os trabalhadores tiveram uma ampla solidariedade da população da cidade e do restante do país, onde também se realizaram manifestações que se combinaram com protestos contra o aumento de preços dos alimentos. Em dezembro de 2006, mais de 27 mil trabalhadores da cidade já tinham realizado uma greve por aumento salarial que o governo havia prometido.

Uma armadilha

Ao que tudo indica o imperialismo norte-americano já se prepara para um cenário de um governo de "transição". Trata-se de uma armadilha do imperialismo e da burguesia egípcia, que tentam emplacar a figura de Mohamed El Baradei, um ex-funcionário da ONU, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), para chefiar um governo transitório. Dessa forma, a ascensão de Baradei para um "governo de transição" serviria para acalmar os ânimos, impedindo que se abram as portas às reivindicações dos trabalhadores, da juventude e das massas.

A manobra também tem por objetivo estabilizar o conjunto do mundo árabe, sacudido por dezenas de protestos revolucionários depois da queda da ditadura na Tunísia.

Governo e centrais encenam negociação para manter o salário mínimo de fome

No acordo ensaiado pelo governo e centrais como CUT e Força Sindical, o único prejudicado será o trabalhador

No dia 26 de janeiro a imprensa destacou o que seria a negociação entre o governo e as centrais sindicais para o novo valor do salário mínimo. Enquanto o recém-empossado governo Dilma insiste no mínimo de até R$ 545, as centrais pedem um salário de R$ 580. Os discursos dos representantes do governo e os dirigentes das centrais passam a ideia de uma dura negociação a fim de se chegar a um acordo. Mas, será mesmo assim?

Regra nefasta

Uma das últimas medidas de Lula no Planalto foi a edição de um decreto estabelecendo um salário mínimo de R$ 538 a partir de 2011. O valor foi arredondado no Congresso para R$ 540, número que sequer repõe a inflação do período. Nos últimos dias, porém, com a reclamação das centrais, o governo vem admitindo conceder, no máximo, R$ 545.

O mais irônico dessa “negociação” é que o governo reivindica o próprio acordo que Lula firmou com as centrais em 2007 para o que chama de valorização do salário mínimo. Pela regra estabelecida com CUT, Força Sindical e demais entidades, o mínimo receberia a reposição da inflação e o reajuste equivalente à variação do PIB de dois anos antes.

Nos dois anos seguintes, as centrais se satisfizeram com o reajuste raquítico que a regra estabelecia. Não só isso como se vangloriavam do acordo, estudando até mesmo a possibilidade de se cravar a fórmula como lei na Constituição. Pois bem, o problema é que em 2009, fruto da crise econômica internacional que se abateu com tudo no país, o PIB se reduziu. Pela regra construída com as entidades, o mínimo não deveria ter qualquer reajuste.

Tal situação desmascara o papel cumprido por centrais sindicais como a CUT, Força Sindical, CGT, e demais entidades que colocaram seus nomes avalizando o acordo do salário mínimo. Ao mesmo tempo em que perpetua um valor absolutamente irrisório, que constitui apenas um quarto do que deveria ser o salário mínimo para cumprir os critérios definidos pela Constituição, o acordo visa impedir qualquer processo de mobilização. O próprio presidente da CUT, Arthur Henrique, insiste que o objetivo não é quebrar o acordo com o governo, mas apenas incluir uma “exceção” para este ano.

O atrelamento do reajuste do salário mínimo ao crescimento do PIB impede, por exemplo, que se aumente o salário em anos de crise econômica ou recessão, justamente quando mais se deveria elevar o seu valor.

Jogo de cena

Na reunião entre centrais e o governo, o Secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, reivindicou o acordo com as centrais e apontou a correção na tabela do Imposto de Renda como contrapartida para o valor de R$ 540 do mínimo. O objetivo é encenar um processo de negociação, aceitando um valor um pouco acima, algo como R$ 545 ou até mesmo de R$ 560, mas nesse caso antecipando parte do reajuste que seria dado ano que vem.

Desta forma, o governo Dilma passaria uma imagem de negociador, e as centrais cantariam vitória para as suas bases. Os únicos que não se beneficiariam desse acordo seriam os trabalhadores, sobretudo os mais pobres, que sofrem com a inflação dos alimentos e o aumento da cesta básica. Só em São Paulo, por exemplo, o preço da cesta básica aumentou 16% no último ano.

A próxima reunião entre o governo e as centrais está marcada para o dia 2 de fevereiro.

Todo verão trabalhadores são enterrados em sedimentos, detritos e lama dos leques e lençóis aluviais

Por Américo Gomes, Advogado do Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos

Um leque aluvial é um corpo constituído de sedimentos, ou detritos rochosos, construído na base da montanha por um córrego nascido da própria montanha.

O clima árido e semiárido favorece o desenvolvimento de leques aluviais. O desenvolvimento de leques aluviais também é afetado por movimento tectônico e queda dos depósitos (avalanche) dos leques.

Nas regiões serranas, detritos rochosos que despencam das posições elevadas das montanhas e se espalham na direção dos vales é uma condição geológica inevitável, enterrando nesta faixa mais funda os seus próprios sedimentos. Se ficarmos atento a esse fenômeno geológico, constatamos acamamentos de depósitos individuais de sedimentos em forma de leque (abanador), daí a denominação de leques aluviais.

Quando surgem tempestades rapidamente correntes inundam esses desfiladeiros, enviando ondas descendentes mais possantes de água. Quando este pequeno dilúvio corre através de passagens estreitas do desfiladeiro, o fluxo de água rapidamente ganha velocidade e força (é como se colocar o polegar sobre a saída de uma mangueira de jardim, criando um “spray”). Ganhando velocidade e, consequentemente, força, a água pega qualquer material solto em seu caminho. Quanto mais rápido a água se move, maior os pedaços de rocha, ou de qualquer outro material, que capta.

Crescendo a força da água, a pesada carga sedimentar, carregada (detritos rochosos de diversos tamanhos) pela correnteza, alcança a boca estreita do desfiladeiro. A partir daí, a água corre para fora da garganta do cânion, indo para o vale aberto.

Então, os depósitos de leques aluviais é um dos ambientes sedimentares que geologicamente ocorrem em todas as regiões montanhosas do planeta terra.

São importantes ambientes sedimentares que quando estruturados como, por exemplo, o campo de Carmopólis, eles servem de armadilhas para acumular o petróleo e outros minerais pesados como ouro, diamante e urânio.

A total irresponsabilidade governamental adicionou novos constituintes aos leques aluviais: trabalhadores por terem que morar no fundo dos vales onde são depositados os sedimentos constituintes dos leques aluviais, são enterrados juntos com os detritos rochosos no Estado do Rio de Janeiro.

O que é um fenômeno da natureza se transforma em tragédia para a população mais carente. As causas naturais são inevitáveis e irão se ampliar com o aquecimento global, com a emissão de poluentes e a exploração da matriz energética carbono-petroleiro.

Mas estas tragédias e fenômenos da natureza podem ser minimizados.

Os cortes no Orçamento Geral da União para o Programa "Prevenção e Preparação para Desastres" faz com que medidas e obras preventivas não sejam feitas.

Há também a falta de planejamento técnico com o conhecimento do mundo mineral e a partir dele o controle sobre o uso e a ocupação adequada do solo.

A construção sem que seja feito um reconhecimento geológico rigoroso é preparar assassinatos não-naturais.

As reportagens globais e os governos colocam a culpa nos trabalhadores que supostamente estariam ocupando irregularmente as encostas e as várzeas dos rios. Mas a verdade que os setores mais explorados da população não encontram alternativa de assentamento urbano senão por meio da ocupação ilegal da terra e construção precária, sem qualquer conhecimento técnico de estabilidade das construções.

Quando um grupo de sem teto ocupa um edifício ocioso em um centro nas grandes cidades, ou quando trabalhadores ocuparam a área do Pinheirinho em São José dos Campos, as ações no Poder Judiciário e a atuação da policia não se faz esperar.

Com isso milhões de brasileiros são obrigados a ocupar áreas de proteção ambiental: Proteção aos Mananciais, várzeas de rios, beira de córregos, mangues, dunas, encostadas que são desmatadas, etc.

Há também uma “máquina de fazer enchentes e desmoronamentos” no processo de urbanização brasileiro como bem constatou a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Erminia Maricato, em seu artigo "As tragédias urbanas, desconhecimento, ignorância ou cinismo?”.

“O Governo Lula ignorou questões cruciais da política urbana reduzindo-a a construção de um grande número de obras com cunho eleitoral (...) Financiar a construção de moradias sem tocar no estatuto da propriedade fundiária, sem regular ganhos especulativos ou implementar a função social da propriedade gerou uma transferência de renda para preço dos imóveis. E parte dos conjuntos habitacionais de baixa renda continua a ser construída fora das cidades, repetindo erros muito denunciados na prática do antigo BNH. (...) Ao lado do capital imobiliário, as grandes empreiteiras de obras de infraestrutura orientam o destino das cidades quando exercem pressão sobre os orçamentos públicos para garantir determinados projetos de que podem ser oferecidos ao governante de plantão como forma de “marcar” a gestão”.

As empreiteiras e suas obras determinam o processo de urbanização mais do que leis e Planos Diretores. A política urbana se reduz à discussão sobre investimentos em obras e isso está vinculado à lógica do financiamento das campanhas eleitorais, desde o ponto de vista sua visibilidade como dos futuros investimentos em campanhas eleitorais.

Basta ver que as principais empreiteiras do País, que detêm maior volume de contratos relativos a obras públicas, oficialmente doaram 252 milhões de reais para campanhas eleitorais de 2010. Despejaram recursos a praticamente todos os partidos políticos (menos os de extrema esquerda) e para todos os cargos em disputa. Esse valor representa 65% das doações feitas pelas sete construtoras na campanha.

As três maiores doadoras - Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão - são as que mais receberam dinheiro da União neste ano. O trio abocanhou R$ 695,8 milhões, ou 86% de tudo o que foi pago pelo governo federal às seis construtoras. Na hora de ajudar políticos na eleição, também foram as mais generosas, doando 91% do total distribuído pelas maiores empreiteiras do país. A Camargo Corrêa foi quem mais gastou com campanhas: R$ 102,7 milhões. Na sequência, aparecem a Queiroz Galvão (R$ 65,6 milhões), Andrade Gutierrez (R$ 61,8 milhões), OAS (R$ 8,8 milhões), Construcap (R$ 7,5 milhões) e Odebrecht (R$ 5,9 milhões).

Campeã de gastos, a Camargo Corrêa fez doações de R$ 10 mil a R$ 5 milhões para mais de cem candidatos a deputado estadual e federal, senador e governador. O comitê da presidente eleita, Dilma Rousseff, e o PT foram os maiores beneficiários dessas doações, ficando com R$ 13 milhões - quase o triplo do valor repassado para a campanha do tucano José Serra.

Em nota, a Camargo Corrêa destacou que as contribuições do grupo para as campanhas eleitorais “são realizadas em respeito à legislação em vigor” (SIC) e o crescimento dos valores repassados em 2010, em comparação a outras eleições foi por que sua receita bruta, entre 2005 até 2009, cresceu 2,5 vezes.

Exemplo grotesco da política de seguimento da política das empreiteiras de crescimento de seus lucros encontraremos obras como a da transposição do Rio São Francisco e da construção da Usina de Belo Monte.

Em abril deste ano, uma auditoria do TCU concluiu que uma subsidiária da Petrobras pagou ilegalmente R$ 56,9 milhões a consórcios formados pelas construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e OAS, na construção do gasoduto Urucu - Manaus, uma das mais caras obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em 2009, a Odebrecht foi condenada pelo TCU por fraude num contrato para a manutenção de plataformas de petróleo na Bacia de Campos, no Rio. Uma auditoria concluiu que a empreiteira superfaturou um aditivo assinado em dezembro de 2002.

No mesmo ano, a Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, levou executivos da Camargo Corrêa à prisão. Foram investigadas denúncias de fraudes em concorrências, superfaturamento de contratos e pagamento de propina. Uma planilha apreendida sugere que a construtora teria doado R$ 4 milhões, por meio de caixa dois, a partidos. A investigação está suspensa por decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), César Asfor Rocha.

Mas não é somente o PT que segue esta política, em São Paulo o PSDB apresentou a ampliação da marginal do Rio Tietê, pelo governo Serra, como uma de suas grandes obras. Apesar de ser denunciada pelos urbanistas como um escândalo, já que ocupa margens dos rios quando estas deveriam dar vazão às cheias do período das chuvas. Da mesma maneira quando “canalizaram” córregos para construir avenidas sobre eles, impermeabilizando o solo e impedindo que as águas escoassem mais rapidamente para as calhas dos rios. De nada vai resolver a construção de novos “piscinões”.

O Trecho Sul do Rodoanel (vitrine da campanha de Serra) custou R$ 5,2 bilhões e ficou a cargo de 11 construtoras, que formaram cinco consórcios e fatiaram a maior e mais cara obra viária do País. A linha 4 (amarela) do Metrô paulista, empreendimento sob responsabilidade de consórcio com 6 empresas, já consumiu R$ 2,3 bilhões em sua primeira fase.

E agora se preparem, por que vem Copa do Mundo e as Olimpíadas com suas megas obras até que a próxima temporada de chuvas traga a realidade de volta.

Um governo verdadeiramente dos trabalhadores e socialista colocara em primeiro lugar o bem estar da população ao invés dos lucros dos grandes empresários, por isso com ele haverá verba para estudos geológicos e obras preventivas, assim como o desenvolvimento urbano será planejado com o objetivo de dar maior equilíbrio a convivência do homem e da natureza.

Entidades unificam lutas e preparam manifestação para 16/02 em Brasília

A reunião para preparar a luta dos trabalhadores, realizada nesta quinta-feira (27), terminou com importante decisão de unificação à manifestação com todas as organizações do Serviço Público Federal, que ocorre no dia 16 de fevereiro, em Brasília.

A reunião contou com a presença de diversas organizações de todo o país. Entre as entidades presentes estão FST (Fórum Sindical dos Trabalhadores), CSP-CONLUTAS, INTERSINDICAL, COBAP e diversas confederações e sindicatos. Também participam da reunião entidades do movimento popular entre os quais o MTST e o MUST.

Abaixo o documento que foi aprovado na reunião com as bandeiras de luta

Em defesa do salário mínimo, dos serviços e servidores públicos, da aposentadoria e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.

O povo brasileiro assiste, estarrecido, ao contraste entre duas atitudes das autoridades que governam nosso país. Por um lado, deputados e senadores decidem e reajustam os seus próprios salários, da presidenta da república e ministros de Estado para quase 27 mil reais. Por outro lado quando o debate é o aumento do salário mínimo, a mesma presidenta da república e seu ministro da fazenda, que se beneficiaram de bom grado de um aumento de 132% nos seus salários, querem reajustá-lo para apenas 545 reais (cerca de 6%).

Ao mesmo tempo, na primeira reunião na vigência do novo governo, o Banco Central aumentou a taxa básica de juros que, além dos outros prejuízos que causa ao país, vai aumentar o volume de recursos públicos repassados aos banqueiros na forma de pagamento de juros da dívida pública. A primeira reunião ministerial foi concluída com o anúncio de que será grande (fala-se em 40 ou 50 bilhões de reais) o corte de investimentos previstos no orçamento recém aprovado, o que seguramente deverá afetar o financiamento das políticas sociais.

Estão sendo anunciadas medidas que atingem diretamente os direitos dos servidores públicos (não cumprimento de acordos feitos, congelamento de salários por 10 anos etc). E ao tratar da sua intenção de promover uma reforma tributária, o novo governo fala em “desoneração da folha de salários”, com redução da contribuição das empresas para financiamento da previdência social e para o financiamento da educação pública. O governo não esconde que o objetivo destas medidas é ajudar as empresas do país, ao mesmo tempo em que se nega a reajustar a tabela de desconto do imposto de renda, prejudicando milhões de trabalhadores.

Não bastasse tudo isso, alguns setores do movimento sindical tentam ressuscitar a idéia, já derrotada durante o último mandato de FHC, de aprovar uma legislação para que passe a prevalecer o negociado sobre o legislado – em relação aos direitos dos trabalhadores previstos em lei. As conseqüências de uma eventual concretização desta idéia seria certamente abrir mão dos poucos direitos que os trabalhadores brasileiros ainda têm garantidos em lei, conquistados a duras penas, com muita luta, suor e até sangue derramado.

A tragédia que atingiu a população da região serrana do Rio de Janeiro e de outras regiões do país está aí a escancarar a falta de uma política por parte dos governos federal, estaduais e municipais, no sentido de assegurar moradia digna aos trabalhadores e ao povo brasileiro, a ausência de investimentos em prevenção de desastres e infra-estrutura no país.

Os cerca de 800 milhões de reais anunciados pelo governo federal para a reconstrução das áreas e socorro às vítimas é um valor inferior ao que será gasto com o aumento auto-concedido dos parlamentares, da presidenta e ministros e o efeito cascata nas Assembléias Legislativas, Câmaras Municipais e na área do Poder Judiciário.

Em sentido oposto às necessidades urgentes da população, o governo acaba de reafirmar sua decisão de “economizar” cerca de 100 bilhões de reais no orçamento deste ano, para repassar aos banqueiros na forma de pagamento de juros da dívida pública (superávit primário).

Todas estas situações indicam uma política econômica que, ao tratar de problemas como o cambio valorizado, a inflação, o desequilíbrio fiscal etc., o faz tratando de privilegiar os interesses do capital financeiro e do grande empresariado tirando do bolso dos trabalhadores, que mais uma vez são “convidados” a financiar as mudanças.

É contra isso que as entidades sindicais e as organizações que assinam este documento vêm se manifestar junto ao Congresso Nacional. Estamos aqui para reafirmar, reivindicar e para defender os direitos e os interesses da classe trabalhadora.

- Salário mínimo: os deputados e senadores desta casa decidiram dar aos seus salários 63% de reajuste. Diante desta liberalidade e a falta de critério de índices igualitários, queremos um reajuste substancial concedido também ao salário mínimo, buscando justiça social no país, com uma melhor distribuição de renda;

- Serviço e servidores públicos: Não aceitamos cortes no orçamento da saúde, educação e outras políticas públicas de interesse do povo brasileiro. É preciso aumentar os investimentos nestas áreas. Não aceitamos o congelamento de salários dos Servidores Públicos Federais (PL 549) e, ao mesmo tempo, exigimos o cumprimento dos acordos feitos anteriormente com estes trabalhadores. O que deve acabar é o superávit primário, recursos públicos destinados a pagar juros aos bancos;

- Aposentadoria: Não aceitamos a diminuição da contribuição das empresas para o financiamento da previdência social. Queremos a recomposição do valor que as aposentadorias tinham – em salários mínimos – quando foram concedidas e o mesmo reajuste do salário mínimo para todas as aposentadorias; o fim do fator previdenciário e o fim da alta programada;

- Direitos dos trabalhadores: Não aceitamos a flexibilização, diminuição ou eliminação dos direitos dos trabalhadores, tenha o nome de “desoneração da folha de salários”, “prevalência do negociado sobre o legislado” ou outro qualquer. Queremos a ampliação dos direitos da nossa classe, com o fim da terceirização e a redução da jornada de trabalho;

- Tabela do imposto de renda: Queremos a correção imediata da tabela de desconto do imposto de renda;

- Socorro às vítimas das enchentes: O povo pobre não pode continuar sendo penalizado. Queremos a liberação de todos os recursos necessários para a atenção às vítimas e a reconstrução das áreas atingidas, garantia de salário e emprego e um plano de obras públicas com prioridade de contratação dos atingidos que estejam desempregados. Somos contra as remoções violentas e exigimos a responsabilização e apuração dos agentes responsáveis que burlam a lei, que degradam a natureza e o meio ambiente.

1° de fevereiro - ato em Brasília contra o aumento dos parlamentares

No dia 1° fevereiro, a população de Brasília vai às ruas protestar contra o aumento que deputados deram aos seus próprios salários. A CSP-Conlutas e a Anel (Assembleia Nacional de Estudantes-Livre!) do Distrito Federal também vão se somar à manifestação que terá concentração às 10h na rodoviária da cidade.

O estudante da UNB (Universidade de Brasília), Eduardo Zanata, 25, diz que a mobilização exigirá a revogação do aumento dos parlamentares. “Durante o ato iremos divulgar todas as ações que estão sendo realizadas contra este aumento abusivo. Entre elas, a campanha de assinatura eletrônica promovida pela CSP-Conlutas. Convocamos pelas redes sociais um twitaço outra medida que tem mobilizado as pessoas”, informa.

Para o estudante é importante que a população além de campanhas na internet, vá para as ruas. “Só com mobilização iremos impedir este aumento que em alguns casos chega a mais de 100% em detrimento do reajuste do salário mínimo que não chega a 6%. Isso é um absurdo. Vamos denunciar esta manobra e lutar contra estes ataques em defesa dos trabalhadores”, enfatiza Zanata.

O protesto está sendo organizado pelo "Comitê Contra o Aumento dos Parlamentares" do qual a CSP-Conlutas faz parte. Este comitê reúne vários grupos políticos e entidades estudantis, entre a quais ANEL-Livre.

Em São Paulo, também acontecerá uma manifestação a partir das 14h. A concentração será no Largo São Francisco, no centro da capital.

Petição pública - A CSP-Conlutas se incorporou ao abaixo-assinado eletrônico que já chega a 300 mil assinaturas. A Central assumiu esta petição e pede a todos que além destas iniciavas participem das mobilizações que ocorrem pelo país.

Aumento abusivo - Em dezembro, no apagar das luzes, os deputados e senadores aumentaram seus próprios salários em 62%. Eles também reajustaram 134% o salário da presidente Dilma Rousseff e em 149% os dos ministros. Todos agora vão receber R$ 26.723,13. Enquanto isso, o salário mínimo deve atingir apenas R$545.

Reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas será nos dias 4, 5 e 6 de fevereiro em São Paulo

A Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Central Sindical e Popular, reunida em 07 de dezembro de 2010, em conformidade com os Estatutos, convoca a reunião da Coordenação Nacional da entidade para os dias 04, 05 e 06 de fevereiro de 2011, na cidade de São Paulo/SP, no Hotel San Raphael, Largo do Arouche – 150 Centro/SP.

Proposta de Pauta da Reunião:

Sexta-feira – 4 de fevereiro

- Conjuntura e atividades

- Campanha de solidariedade aos atingidos pelas enchentes (o debate envolverá ainda os temas da ocupação das comunidades pela PM, remoções das comunidades e criminalização dos movimentos sociais)

- Reorganização

Sábado – 5 de fevereiro

- Organização da Central

- Finanças

- Apresentação da logomarca e lay-out da nova página da Central na WEB

- Apresentação da pesquisa sobre o perfil dos delegados presentes no Conclat

- Informes do Conselho Fiscal

- Reuniões setoriais

Domingo – 6 de fevereiro

- Informes das reuniões setoriais

- Resoluções

Solicitamos a todas as entidades que façam o pré-credenciamento, enviando ata de participação cujo modelo segue anexado, para o seguinte endereço: secretaria@cspconlutas.org.br

PARTICIPAÇÃO E CREDENCIAMENTO – será exigido para o credenciamento da delegação COM DIREITO A VOTO, de cada entidade e movimento, que estejam em dia com suas obrigações financeiras para com a CSP Conlutas.

Isto significa que as entidades sindicais devem ter pago pelo menos até a mensalidade do mês de dezembro de 2010.

As entidades que não estiverem em dia financeiramente com a tesouraria da CSP Conlutas poderão credenciar OBSERVADORES para a reunião.

Essa ATA deverá ser apresentada quando o credenciamento dos participantes à reunião.

Informações podem ser obtidas pelos telefones: (11) 3107-7984 ou (11) 3106-4450.

CRITÉRIOS E CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO

As condições para participação, com direito a voto, nas reuniões da Coordenação Nacional, de acordo com o Estatuto, seguem relacionadas abaixo:

- Entidades sindicais, oposições sindicais e minorias de diretorias:

Até 4.999 trabalhadores: 1 voto

De 5.000 a 19.999: 2 votos

De 20.000 a 39.999: 3 votos

De 40.000 a 79.999: 4 votos

De 80.000 em diante: 5 votos, mais 1 a cada 20.000 ou fração de 10.000, limitado a 10 votos

A base de representação das oposições sindicais deve ser definida a partir do percentual de votos obtidos na eleição sindical, aplicado sobre o total de trabalhadores na base. No caso das minorias a representação será definida pela proporção que representam na diretoria da entidade, aplicada sobre o total de trabalhadores na base da entidade.

- Movimentos populares:

1- OCUPAÇÕES

- Até 500 famílias: 01 representante

- de 501 a 1.000: 02 representantes

- de 1.001 a 2.000: 03 representantes

- mais de 2.000: proporção de 1 representante para cada 1.000

2- NÚCLEOS COMUNITÁRIOS

- Até 125 pessoas em assembléia: 01 representante

- de 126 a 250 pessoas em assembléia: 02 representantes

- de 251 a 500 pessoas em assembléia: 03 representantes

- mais de 500 pessoas em assembléia: proporção de 1 para cada 250

- Entidades estudantis e movimentos de luta contra a opressão: cada entidade tem direito a indicar um representante. Durante a reunião, os representantes desses setores deverão se reunir e escolher uma delegação limitada a 5% do total dos participantes com direito a voto na reunião.

Informações sobre hospedagem e sugestões de hotéis foram enviadas para rede via endereço eletrônico.

Saudações,

Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Central Sindical e Popular

18 de janeiro de 2010