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| Ministério do Trabalho cria um sindicato novo por dia |
O que esperar de uma central sindical criada nos gabinetes do ex-presidente Fernando Collor? A revista IstoÉ investigou um esquema de corrupção envolvendo a Força Sindical e o Ministério de Trabalho e Emprego (MTE). A matéria, veiculada na segunda semana de agosto, trouxe denúncia de uma sindicalista sergipana que afirma que “Roberto da Força”, dirigente da central no Estado, cobrou R$40 mil para agilizar liberação de um registro sindical. Ela não aceitou a extorsão. Em represália, a Força fundou outra entidade e “roubou” a base da sindicalista.
A revista divulgou a prática já conhecida dessa Central de “fabricar” sindicatos e pulverizar categorias trabalhistas para engordar seu bolso com o dinheiro do imposto sindical. Os trabalhadores representados pelo Sindicagese, que é filiado à CSP-Conlutas, sofrem uma tentativa de golpe parecida. A Força mexeu os seus pauzinhos e encaminhou a fundação de um outro sindicato de trabalhadores de cimento, cal e gesso. Fizeram assembléias fantasmas e enviaram o pedido para o MTE. O Sindicagese chamou os trabalhadores e denunciou o esquema em assembléias. A categoria, revoltada, votou a não fundação de um novo sindicato. A justiça já reconheceu que essas assembléias são legítimas. Porém, o processo ainda deve ser julgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).
História conhecida
“Golpes desse tipo já aconteceram com o pessoal da construção civil, da indústria têxtil, rodoviários e muitos outros aqui em Sergipe. É um esquema absurdo. Dividir os trabalhadores para ganhar mais dinheiro. Essa é a idéia deles”, afirma Heribaldo de Campos, diretor do Sindicagese. Segundo a matéria da IstoÉ, a relação promíscua entre a Força Sindical e o MTE anda a todo vapor. Um novo sindicato é criado todo dia no Brasil.
Recentemente, essa central tentou fazer o mesmo com os trabalhadores de clubes recreativos e do sistema de ensino profissionalizante, representados pelo Senalba. Depois de perder as eleições, tentaram fundar outra entidade. “Nós fomos no lugar em que eles convocaram assembleia para fundar o tal do novo sindicato. Como era de se esperar, não havia nada no local. Era mais uma assembleia fantasma. Registramos tudo e foi prestada queixa na delegacia plantonista”, conta Fátima Andrade, presidente do Senalba.
Em 2008, a Força Sindical conseguiu o registro de um sindicato dos trabalhadores da área de cerâmica, fragmentando a base do Sinicagese. “Dos sete diretores que fundaram esse sindicato, nós temos prova de que três não eram nem da categoria”, afirma Djenal Prado, diretor do Sindicagese.
Trabalhador unido
O modelo sindical brasileiro está longe de ser democrático. As leis que regem o nosso sindicalismo foram criadas ainda na ditadura de Getúlio Vargas, na década de 1930. A legislação se baseou regime fascista de Benito Mussolini, no qual o estado controlava com punhos de aço os sindicatos. É daí que vem a unicidade sindical, que proíbe que mais de um sindicato represente uma mesma categoria de trabalhadores na mesma cidade ou estado.
Essa unidade de gabinete não serve aos trabalhadores. O peão deve ter o direito de escolher o sindicato que deve representá-lo. Porém, a alternativa não é sair fundando entidades de categorias isoladas, como faz a pelegada de olho no imposto sindical. Os trabalhadores devem estar unidos na luta e fortalecer as suas entidades. Essa deve ser uma opção política e não burocrática. Como diz o velho grito de protesto, “Trabalhador unido jamais será vencido”.