segunda-feira, 9 de abril de 2012

Diretoria do Sindicagese toma posse em cerimônia emocionante

O companheiro Valdir de Melo, o gerreiro, foi homenageado na posse da nova diretoria do Sindicagese. A cerimônia, que aconteceu no dia 23 de março, contou com a presença de representantes da CSP-Conlutas e do Senalba (sindicato dos trabalhadores do “sistema S” – Sesi, Senai, Sesc etc.). “O companheiro Valdir poderia estar com a gente agora nesta posse. Poderia estar com seus filhos, sua esposa. Mas não está. Não podemos ficar calados diante desta perda. É tarefa desta nova diretoria lutar para que nenhum trabalhador saia da fábrica morto”, discursou Djenal Prado, diretor do sindicato. 
Futuro
“Nós ficamos gratos a cada um dos 244 trabalhadores que votaram na nova diretoria. Mas, a melhor forma de agradecimento que podemos dar é trabalhando”, afirma Djenal Prado, diretor do sindicato. “A categoria, com muita luta e suor, conquistou vitórias importantes. Temos orgulho de fazer parte dessas conquistas. Mas ainda tem muito que ser feito. Por isso, é hora de arregaçar as mangas e continuar o trabalho”, continua. Djenal conta que a luta contra as condições de trabalho insalubres será uma das prioridades da diretoria reeleita.
 “Pretendemos envolver a comunidade, os trabalhadores, os órgãos fiscalizadores. Vamos chamar a atenção da sociedade para o fato de o trabalhador adoecer por causa do ambiente de trabalho. Isso é inadmissível. Seremos firmes nessa questão”, conclui


A MORTE DE UM GUERREIRO


E
sposa, parentes, colegas de trabalho. Todos estão inconformados com a morte de Valdir Silva Melo, também conhecido pelos seus companheiros como “Guerreiro”. O caldeireiro foi eletrocutado enquanto fazia manutenção em um equipamento chamado eletrofiltro no último dia 16 de março. Valdir trabalhava na Itaguassu/Nassau, fábrica de cimento que fica em Nossa Senhora do Socorro.
“O Sindicagese já procurou o Ministério do Trabalho, já prestamos Boletim de Ocorrência na Delegacia Plantonista, estamos levantando material para procurar o Ministério Público. Fazemos questão de uma investigação séria e urgente para confirmar se houve negligência da empresa. Afinal de contas, estamos falando da vida de um trabalhador que foi arrancada. O lucro do empresário não pode ser mais importante que a vida de uma pessoa”, afirma Heribaldo do Campos, presidente do sindicato.
Conversa fiada
A Itaguassu/Nassau até agora não se pronunciou. Até a reunião da CIPA, que deveria ter acontecido imediatamente, ela só convocou seis dias depois. Ainda por cima, levou alguns trabalhadores à delegacia. É provável que os funcionários sejam pressionados a tirar a responsabilidade dos gestores. Ninguém ficaria surpreso se a empresa agora caísse no ridículo de culpar o próprio morto. “O sindicato não aceitará manobras para que a gestão fuja da responsabilidade”, assegura Djenal Prado, diretor do Sindicagese.
Irregularidades
A morte de Vadir poderia ter sido evitada facilmente. Bastaria à Nassau obedecer a normas simples de segurança. A empresa não tem uma caixa de bloqueio elétrico individual. As portas do eletrofiltro onde morreu o guerreiro não têm cadeados de bloqueio ao acesso enquanto a máquina está ligada. Isso só para citar algumas formas de evitar acidentes. Mas os empresários são viciados em cortar custos. O problema é que esses cortes podem custar a vida do trabalhador.
Dentro da fábrica, também tem ruído e calor. Os funcionários também sofrem com substâncias que fazem mal à saúde, como os pós de sílica, amianto e coque. Mesmo que o peão se aposente sem sofrer um acidente, ainda corre o risco de morrer por causa da poeira da indústria. “Chegamos na fábrica para trabalhar, não para morrer. Hoje foi Valdir, amanhã pode ser qualquer outro, alerta Paulo César, trabalhador da Nassau e diretor do Sindicagese.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Liminar acaba com sindicato fantasma do cimento

Justiça do Trabalho decidiu que o Sindcimento está proibido de funcionar. O juiz José Nicodemos Sá Cardoso Junior, da Vara do Trabalho de Carmópolis, entendeu que a “divisão da categoria através de sua representação por sindicatos diferentes, os chamados ‘sindicatos de plantão’, enfraquece sua legitimidade, causando diversos prejuízos aos empregados”.            Por isso, atendeu ao pedido da comissão de cimenteiros que entrou na justiça contra o sindicato fantasma. A decisão é liminar. A sentença definitiva só sairá no final do processo.

O juiz reconheceu que há fortes indícios de fraude na criação do Sindicimento.  “Os Senhores Adenilton Nascimento de Azevedo e Rivaldo Almeida Cruz fazem parte da diretoria de mais de um sindicato, representativos de categorias diversas, situação que, no mínimo, [é] suspeita”, afirma o juiz.

O Sindicimento nunca distribuiu um boletim, nunca fez uma assembleia, nunca brigou pelos direitos dos trabalhadores. É um sindicato de mentira. Os cimenteiros já têm um sindicato de verdade: o Sindicagese. Essa é uma vitória importante de todos os trabalhadores