segunda-feira, 9 de abril de 2012

A MORTE DE UM GUERREIRO


E
sposa, parentes, colegas de trabalho. Todos estão inconformados com a morte de Valdir Silva Melo, também conhecido pelos seus companheiros como “Guerreiro”. O caldeireiro foi eletrocutado enquanto fazia manutenção em um equipamento chamado eletrofiltro no último dia 16 de março. Valdir trabalhava na Itaguassu/Nassau, fábrica de cimento que fica em Nossa Senhora do Socorro.
“O Sindicagese já procurou o Ministério do Trabalho, já prestamos Boletim de Ocorrência na Delegacia Plantonista, estamos levantando material para procurar o Ministério Público. Fazemos questão de uma investigação séria e urgente para confirmar se houve negligência da empresa. Afinal de contas, estamos falando da vida de um trabalhador que foi arrancada. O lucro do empresário não pode ser mais importante que a vida de uma pessoa”, afirma Heribaldo do Campos, presidente do sindicato.
Conversa fiada
A Itaguassu/Nassau até agora não se pronunciou. Até a reunião da CIPA, que deveria ter acontecido imediatamente, ela só convocou seis dias depois. Ainda por cima, levou alguns trabalhadores à delegacia. É provável que os funcionários sejam pressionados a tirar a responsabilidade dos gestores. Ninguém ficaria surpreso se a empresa agora caísse no ridículo de culpar o próprio morto. “O sindicato não aceitará manobras para que a gestão fuja da responsabilidade”, assegura Djenal Prado, diretor do Sindicagese.
Irregularidades
A morte de Vadir poderia ter sido evitada facilmente. Bastaria à Nassau obedecer a normas simples de segurança. A empresa não tem uma caixa de bloqueio elétrico individual. As portas do eletrofiltro onde morreu o guerreiro não têm cadeados de bloqueio ao acesso enquanto a máquina está ligada. Isso só para citar algumas formas de evitar acidentes. Mas os empresários são viciados em cortar custos. O problema é que esses cortes podem custar a vida do trabalhador.
Dentro da fábrica, também tem ruído e calor. Os funcionários também sofrem com substâncias que fazem mal à saúde, como os pós de sílica, amianto e coque. Mesmo que o peão se aposente sem sofrer um acidente, ainda corre o risco de morrer por causa da poeira da indústria. “Chegamos na fábrica para trabalhar, não para morrer. Hoje foi Valdir, amanhã pode ser qualquer outro, alerta Paulo César, trabalhador da Nassau e diretor do Sindicagese.

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