sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Não se brinca com a saúde do trabalhador

João* trabalha numa fábrica de cimento em Laranjeiras. Há cerca de um ano, se acidentou carregando sacaria. “Quando eu empurrei a ‘burrinha’ para baixo, só senti aquela dor na munheca. Pensei que tinha desmentido. Mesmo assim, continuei trabalhando”. João trabalhou ainda por mais cinco meses. Finalmente fez o raio-x e descobriu que tinha uma fratura. Mesmo com o osso quebrado, continuou trabalhando até sair a sua licença para a cirurgia. Acidentado e afastado pelo INSS, João recebe hoje de auxílio 30% a menos do que recebia trabalhando. Para a empresa e para o INSS, o caso dele não é de acidente de trabalho, mas de doença comum.

Assim como João, vários trabalhadores sofrem de doenças adquiridas no trabalho. Os casos mais comuns são os desvios na coluna e hérnias de disco. O último acidente que temos conhecimento na Votorantim (Cimesa) foi no dia 03/10/2011. O trabalhador torceu o braço na correia transportadora.

Isso acontece por vários motivos: o ritmo acelerado de trabalho, a falta de equipamentos de proteção, o descuido com a higiene no ambiente etc. O patrão é culpado por submeter o empregado a serviço insalubre. Mas os governos também são culpados porque têm obrigação de fiscalizar essas irregularidades. Dilma deu neste ano R$ 25 bilhões para os grandes industriais. Em troca deveria exigir o respeito à segurança do trabalhador. Mas, infelizmente, ela não faz isso.

Cipa atuante

É papel da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) atuar pela segurança do trabalhador. Por isso, devemos dizer não aos indicados pelo patrão para a Cipa. É preciso ter representantes nossos de verdade. Cobre do seu cipeiro. Não podemos deixar nossa saúde nas mãos do patrão.

*O nome verdadeiro do trabalhador foi omitido para evitar represálias

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