segunda-feira, 14 de maio de 2012

Três meses de impunidade


Pela segurança no trabalho: viemos para trabalhar e não para morrer.



A morte de Valdir Silva Melo, o Guerreiro, completa três meses. Há três meses, seus dois filhos estão sem o pai, sua esposa não tem mais companheiro. Sua mãe não pôde comemorar o Dia das Mães junto dele. A presença de Valdir faz falta para familiares e companheiros de trabalho. Mas, ao que parece, para a Itaguassu/Nassau não faz a menor diferença.
Até agora, a empresa não prestou nenhuma assistência à família. Pelo contrário. Cria ainda hoje barreiras para liberar documentos úteis para a família acionar o seguro. Nenhuma declaração oficial sobre a morte de Valdir. Ao invés de procurar a família para prestar solidariedade, a Itaguassu/Nassau achou melhor procurar a delegacia.
            Um engenheiro da fábrica prestou depoimento na Delegacia Plantonista de Aracaju dizendo que Valdir entrou na área do eletrofiltro, equipamento onde foi eletrocutado, sem autorização. Mais: desparafusou as travas da porta e entrou na máquina por sua própria conta. Uma versão muito cômoda para a empresa. Não seria de se estranhar se a Itaguassu/Nassau espalhasse a ideia de que a culpa da morte é do próprio morto e de que Valdir teria cometido suicídio.
Segurança
O que está por trás desse joguinho absurdo de versões é a tentativa da empresa esconder sua responsabilidade. Os trabalhadores da fábrica correm risco de sofrer acidentes graves e perdem sua saúde aos poucos todos os dias. Essa é a verdade que a Itaguassu/Nassau quer driblar.
A assessoria jurídica do sindicato entrará na justiça exigindo da fábrica o pagamento de danos morais e materiais. Também exigirá a responsabilização criminal. A morte de Valdir não pode passar impune. Hoje foi ele, amanhã pode ser qualquer um de nós. Um companheiro de trabalho nosso perdeu a vida. Seus filhos perderam um pai. E nós, trabalhadores, vamos ficar calados diante disso? 

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