Pela segurança no
trabalho: viemos para trabalhar e não para morrer.
A
morte de Valdir Silva Melo, o Guerreiro, completa três meses. Há três meses,
seus dois filhos estão sem o pai, sua esposa não tem mais companheiro. Sua mãe não
pôde comemorar o Dia das Mães junto dele. A presença de Valdir faz falta para
familiares e companheiros de trabalho. Mas, ao que parece, para a
Itaguassu/Nassau não faz a menor diferença.
Até agora, a empresa não prestou nenhuma
assistência à família. Pelo contrário. Cria ainda hoje barreiras para liberar
documentos úteis para a família acionar o seguro. Nenhuma declaração oficial
sobre a morte de Valdir. Ao invés de procurar a família para prestar
solidariedade, a Itaguassu/Nassau achou melhor procurar a delegacia.
Um engenheiro da fábrica prestou
depoimento na Delegacia Plantonista de Aracaju dizendo que Valdir entrou na
área do eletrofiltro, equipamento onde foi eletrocutado, sem autorização. Mais:
desparafusou as travas da porta e entrou na máquina por sua própria conta. Uma
versão muito cômoda para a empresa. Não seria de se estranhar se a
Itaguassu/Nassau espalhasse a ideia de que a culpa da morte é do próprio morto
e de que Valdir teria cometido suicídio.
Segurança
O que está por trás desse joguinho absurdo
de versões é a tentativa da empresa esconder sua responsabilidade. Os
trabalhadores da fábrica correm risco de sofrer acidentes graves e perdem sua
saúde aos poucos todos os dias. Essa é a verdade que a Itaguassu/Nassau quer
driblar.
A assessoria jurídica do sindicato entrará
na justiça exigindo da fábrica o pagamento de danos morais e materiais. Também
exigirá a responsabilização criminal. A morte de Valdir não pode passar impune.
Hoje foi ele, amanhã pode ser qualquer um de nós. Um companheiro de trabalho
nosso perdeu a vida. Seus filhos perderam um pai. E nós, trabalhadores, vamos
ficar calados diante disso?
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